vida fitness
Fonte: Blog Contramão Fitness

 

Falar até papagaio fala. Como separar experiência pessoal, opinião e orientação profissional quando o assunto é saúde, emagrecimento e musculação depois dos 50?

Pois é. Nunca essa frase pareceu tão atual, principalmente quando o assunto é vida fitness, alimentação saudável, exercícios físicos, academia, musculação e emagrecimento.

E o que eu quero dizer com isso?

Estamos vivendo uma época em que parece que todo mundo entende de tudo.

Basta ter alguns seguidores nas redes sociais, postar vídeos de treino, mostrar o prato do almoço ou exibir um corpo definido para, de repente, a pessoa se transformar em "especialista" em nutrição, musculação, emagrecimento e treinamento.

E aí começa o problema.

Todo mundo virou especialista em fitness?

Antes de continuar, quero deixar uma coisa muito clara:

Não estou falando dos profissionais sérios e qualificados.

Existem excelentes médicos, nutricionistas, profissionais de Educação Física e outros especialistas que estudaram, se atualizaram e sabem exatamente os limites daquilo que podem orientar.

O problema está em outra categoria.

Estou falando daquela pessoa que tem algumas centenas ou milhares de seguidores e começa a falar sobre saúde como se tivesse formação e experiência profissional para isso.

Aí você entra no Instagram para assistir a um vídeo e sai de lá completamente confusa.

Um diz uma coisa, outro diz exatamente o contrário. Um manda cortar carboidrato, no outro diz para comer carboidrato.

Um diz que fruta engorda, outro diz que fruta é indispensável. Um manda fazer determinado exercício, outro afirma que aquele exercício é inútil.

E você fica no meio disso tudo sem saber em quem acreditar.

Falo por experiência própria.

Informação demais também pode atrapalhar

Quando decidi cuidar da minha saúde, perder gordura, ganhar força e melhorar meu condicionamento físico, comecei a pesquisar bastante.

E foi aí que percebi o tamanho da confusão.

Quanto mais eu pesquisava, mais informações apareciam.

E nem sempre elas faziam sentido.

Foi preciso aprender uma coisa muito importante:

nem tudo o que aparece na internet merece a nossa confiança.

Número de seguidores não é diploma.

Corpo bonito não é certificado profissional.

E falar com convicção não transforma uma opinião em verdade científica.

Cada pessoa precisa de uma estratégia individual

Esse é um dos pontos que considero mais importantes.

Cada pessoa é única.

  • Tem histórico de saúde diferente.
  • Tem idade diferente.
  • Tem rotina diferente.
  • Tem objetivos diferentes.
  • Tem limitações diferentes.
  • Tem hábitos alimentares diferentes.

Por isso, não existe uma receita universal que funcione igualmente para todo mundo.

Um treino que funciona muito bem para uma pessoa pode não ser adequado para outra.

O mesmo vale para alimentação.

Por isso, quando o assunto envolve treinamento, emagrecimento, nutrição ou saúde, o ideal é procurar profissionais devidamente qualificados.

E principalmente quando existe alguma condição de saúde ou uso de medicamentos.

Dieta não precisa ser sinônimo de sofrimento

Outra palavra que acabou ganhando uma fama terrível é: Dieta

Quando falo em dieta aqui, não estou falando de passar fome, cortar tudo o que gosta ou viver de salada e água.

"Dieta", no sentido mais amplo, é simplesmente aquilo que uma pessoa come habitualmente.

Uma alimentação equilibrada pode incluir muitos alimentos diferentes.

E sim, aquela comida que você gosta também pode fazer parte da sua vida.

Um doce de vez em quando não transforma automaticamente uma pessoa em alguém que se alimenta mal.

O problema está no excesso e na falta de equilíbrio.

Alimentação saudável não precisa ser uma punição.

A hora da verdade

Quando decidi que estava na hora de cuidar de verdade da minha saúde, eu tinha três objetivos principais: perder gordura, ganhar força e melhorar meu condicionamento físico.

E olha...

Eu estava longe de ser uma pessoa ativa.

Quando comecei a treinar musculação, em junho de 2024, estava com, pasme:

100 quilos. Isso mesmo.

Eu era muito sedentária e minha alimentação também estava longe de ser a ideal.

E existe uma diferença enorme entre comer e se alimentar bem.

Durante muito tempo eu achei que estava comendo de maneira saudável simplesmente porque comia arroz, feijão, carne, café com leite e pão com manteiga.

São alimentos que podem fazer parte de uma alimentação equilibrada, claro.

Mas eu não tinha variedade suficiente e também não tinha consciência das quantidades, da qualidade geral da alimentação e das minhas necessidades nutricionais.

Eu simplesmente comia.

Quando a menopausa chegou, tudo mudou

E então veio outro capítulo dessa história: a menopausa.

Ou melhor, todo o processo que envolve o climatério e a transição para a menopausa.

O corpo feminino passa por mudanças importantes nessa fase da vida.

A composição corporal pode mudar, a distribuição da gordura pode se alterar e a perda de massa muscular pode se tornar uma preocupação ainda maior. (Fonte: National Library of Medicine)

No meu caso, tudo isso aconteceu junto com anos de sedentarismo e hábitos alimentares inadequados.

O resultado? Cheguei aos 100 kg.

E o pior é que eu nem percebi tudo acontecendo.

Quando me dei conta, meu corpo já estava muito diferente.

Pós-menopausa e gordura abdominal

É muito comum ouvirmos falar sobre o aumento da gordura abdominal durante e após a menopausa.

As mudanças hormonais dessa fase estão associadas a alterações na distribuição da gordura corporal.

E existe uma diferença importante entre simplesmente ganhar peso e aumentar a quantidade de gordura acumulada na região abdominal.

A chamada gordura visceral é aquela localizada ao redor dos órgãos internos e está associada a maior risco cardiometabólico. (Fonte: National Library of Medicine)

Por isso, quando falamos em emagrecimento depois dos 50 anos, não deveríamos pensar apenas no número que aparece na balança.

Composição corporal também importa.

Mas será que existe milagre para emagrecer depois dos 50?

Não, bonita. Não existe milagre.

No meu caso, o que começou a fazer diferença foi uma combinação de fatores.

Comecei a fazer treinamento de força.

Passei a prestar muito mais atenção na minha alimentação.

Comecei a cuidar melhor do sono.

No meu caso, também faço acompanhamento médico para as questões relacionadas ao climatério e à menopausa. 

Atualmente, utilizo terapia de reposição hormonal sob indicação e acompanhamento médico. Esse tratamento é individualizado e não é indicado para todas as mulheres.

Isso é importante deixar muito claro:

TRH não é uma solução universal e não é indicada para todas as mulheres.

Cada caso precisa ser avaliado individualmente por um profissional de saúde.

O que funciona para mim não significa que funcionará para você.

Musculação mudou minha relação com meu corpo

Se existe uma coisa que mudou completamente minha maneira de enxergar o envelhecimento foi a musculação.

Quando comecei, meu pensamento era muito voltado para emagrecer. Hoje penso muito mais em ficar forte. Porque depois dos 50 anos, força significa muito mais do que estética.

Significa conseguir carregar uma sacola.

Subir escadas.

Levantar da cadeira.

Ter equilíbrio.

Preservar autonomia.

Continuar fazendo minhas atividades sem depender de outras pessoas.

É por isso que acredito tanto no treinamento de força.

Não estou buscando um corpo perfeito.

Estou tentando construir um corpo capaz de me acompanhar durante o processo de envelhecimento.

Cuidado com as promessas fáceis

É justamente por isso que precisamos ter cuidado com determinadas promessas encontradas nas redes sociais.

"Faça esse exercício e elimine a barriga."

"Coma esse alimento e acelere seu metabolismo."

"Retire completamente o carboidrato."

"Esse suplemento vai transformar seu corpo."

"Faça esse treino secreto para emagrecer."

"Esse é o único exercício que funciona."

Desconfie.

Principalmente quando a promessa parece boa demais para ser verdade.

Saúde não funciona através de fórmulas mágicas.

E emagrecimento também não.

O que realmente está funcionando para mim

Hoje, olhando para trás, percebo que minha mudança não aconteceu por causa de uma única coisa.

Foi um conjunto de decisões.

Comecei a me movimentar.

Passei a fazer musculação.

Incluí exercícios aeróbicos na minha rotina.

Melhorei minha alimentação.

Passei a prestar mais atenção ao sono.

Procurei acompanhamento médico para as questões relacionadas à menopausa.

E, principalmente, parei de procurar soluções rápidas.

Comecei a construir hábitos.

E isso leva tempo.

Não acredite em tudo que você vê na internet

Essa talvez seja a principal mensagem deste artigo. A internet pode ser maravilhosa para informação.

Mas também pode ser um verdadeiro caos quando misturamos opinião pessoal, experiência individual e orientação profissional como se fossem a mesma coisa.

Não são.

Uma pessoa pode contar que determinado treino funcionou para ela. Ótimo. Mas isso não significa que aquele treino seja adequado para todo mundo.

Uma pessoa pode dizer que determinado alimento fez maravilhas. Tudo bem. Mas isso não transforma aquela experiência em recomendação universal.

Experiência pessoal é experiência pessoal.

Orientação profissional é outra coisa.

E eu? Sou especialista?

Não. E faço questão de repetir isso:

  • Não sou médica.
  • Não sou nutricionista.
  • Não sou profissional de Educação Física.

Sou uma mulher 50+ compartilhando uma experiência real.

Estou contando aqui aquilo que aconteceu comigo, aquilo que estou aprendendo e as mudanças que fiz na minha própria vida.

Não quero que você copie minha rotina. Quero que você pense, questione, pesquise, converse com profissionais qualificados.

E principalmente, não coloque sua saúde nas mãos de qualquer pessoa que apareceu no seu feed.

Conclusão

Se tem uma coisa que aprendi nessa caminhada é que falar é fácil.

Qualquer pessoa pode abrir uma câmera e começar a dar opiniões.

Difícil é estudar. É se atualizar.

É entender que cada pessoa possui necessidades diferentes.

É reconhecer os próprios limites profissionais.

Por isso, quando o assunto é saúde, alimentação, musculação, emagrecimento e menopausa, escolha muito bem de quem você recebe informação.

Não entregue sua saúde para qualquer influencer.

E lembre-se:

Número de seguidores não substitui formação profissional.

Quanto a mim, continuo aqui. Treinando, aprendendo, errando, acertando.

E contando minha experiência como uma mulher 50+ que decidiu que envelhecer não significa desistir do próprio corpo. Pelo contrário.

É justamente agora que eu quero cuidar dele ainda mais.

Até o próximo artigo, bonita!

Escrito por: 
Bete Lopes - Criadora de conteúdo digital e do blog Contramão Fitness