![]() |
| Fonte: Blog Contramão Fitness |
Musculação depois dos 50 não precisa ser um espetáculo. Na minha opinião, o melhor treino é aquele que funciona para você, respeitando seus objetivos, seu nível de condicionamento e suas características individuais.
Sem acrobacias, sem invenções mirabolantes, sem transformar a academia em palco.
Sabe aquela frase:
“Uma imagem vale mais que mil palavras.”
Pois é exatamente isso que tentei demonstrar com a imagem que ilustra este artigo.
Eu frequento academia há quase dois anos e posso dizer uma coisa: às vezes parece que algumas pessoas esqueceram que estão ali para treinar.
É look novo para mostrar.
É vídeo para postar.
É exercício diferente para chamar atenção.
É movimento que você olha e pensa:
“Mas isso é musculação ou apresentação?”
Calma! Não estou dizendo que todo mundo precisa treinar exatamente como eu.
Cada pessoa tem seus objetivos e existe uma infinidade de métodos e exercícios.
Mas uma coisa eu aprendi nesses quase dois anos: não precisa complicar o que pode ser simples.
Musculação mudou minha relação com a saúde
Não sou especialista em musculação.
Não sou personal trainer.
Sou simplesmente uma mulher 50+ que decidiu cuidar mais do próprio corpo.
E posso dizer, pela minha experiência, que a musculação mudou minha relação com meu corpo e com minha saúde.
Comecei a perceber que treinar não é apenas sobre aparência.
- É sobre força.
- É sobre disposição.
- É sobre conseguir realizar as tarefas do dia a dia.
- É sobre envelhecer com mais autonomia.
“Eu quero continuar cuidando de mim.”
Escolher como queremos envelhecer, dentro das possibilidades de cada pessoa, também é uma forma de amor-próprio.
O problema das “firulas” na musculação
Agora vamos voltar ao assunto que me trouxe até aqui.
Você provavelmente já viu vídeos no Instagram, YouTube ou TikTok ensinando aquele “exercício secreto” que ninguém conhece.
Principalmente quando o assunto é treino de glúteos.
É cada movimento que aparece nas redes sociais que eu fico pensando:
Meu Deus, de onde tiraram isso?
“Faça esse movimento porque ativa uma parte específica do glúteo.”
“Agora faça desse jeito.”
“Não, desse jeito não funciona.”
“Tem que sentir queimar.”
“Tem que fritar.”
“Agora vem o exercício que ninguém te ensinou!”
E daqui a pouco a pessoa está quase fazendo uma acrobacia olímpica segurando um halter.
Calma, minha gente!
Glúteo não sabe o que é Instagram.
A musculatura responde aos estímulos do treinamento, mas os resultados dependem de diversos fatores, como:
- frequência dos treinos,
- alimentação,
- descanso,
- idade,
- experiência e condições individuais.
A escolha dos exercícios deve considerar objetivo, experiência, técnica e características individuais.
Claro que diferentes exercícios podem trabalhar diferentes músculos e regiões do corpo. E profissionais de Educação Física podem utilizar variações de movimentos de acordo com o objetivo e as características de cada aluno.
Mas isso não significa que você precise copiar tudo o que aparece na internet.
“Aliás,
se você está cansada dos mitos que aparecem diariamente nas redes sociais,
também vale conferir nosso artigo sobre: Mentiras do Universo Fitness.”
Musculação precisa ser complicada para dar resultado?
Não necessariamente.
Um bom programa de musculação pode ser extremamente simples.
O importante é que ele seja adequado ao seu objetivo, ao seu nível de condicionamento e às suas características individuais.
Exercícios básicos e bem executados podem fazer parte de um excelente treino:
- Agachamento.
- Leg press.
- Remada.
- Puxada.
- Supino.
- Desenvolvimento.
- Roscas.
- Tríceps.
Entre tantos outros.
Não existe necessidade de transformar cada exercício em uma apresentação do Cirque du Soleil.
E se eu não puder pagar um personal?
Nem todo mundo tem condições de contratar um personal trainer.
E tudo bem.
Se você frequenta uma academia, converse com o professor ou profissional de Educação Física responsável pelo espaço.
Peça orientação.
Explique seu objetivo.
Pergunte como executar os exercícios.
Tire suas dúvidas.
Na academia onde treino, por exemplo, os professores estão sempre disponíveis para ajudar.
E isso faz muita diferença, principalmente para quem está começando.
Por que não vale a pena copiar qualquer exercício da internet?
E alguns podem ser excelentes. O problema não é o exercício ser diferente.
O problema é copiar qualquer coisa sem saber por que está fazendo.
Um exercício que funciona para um atleta pode não ser adequado para uma pessoa que está começando.
Uma técnica utilizada por um fisiculturista pode não fazer sentido para quem simplesmente quer ganhar força, preservar massa muscular e envelhecer com mais autonomia.
Por isso, antes de copiar aquele exercício maravilhoso que apareceu no seu feed, pergunte:
“Eu realmente preciso fazer isso?”
Essa pergunta pode evitar muita coisa.
Casos de academia
Agora vamos à parte que eu realmente gosto.
Porque academia também rende histórias.
E quem frequenta sabe que sempre existe alguma coisa acontecendo.
O homem que quase chegou ao teto
Um dia eu estava na polia fazendo meus exercícios tranquilamente.
De repente, olho para o aparelho ao lado.
Um homem se pendurou e começou a impulsionar o corpo para cima.
E quando digo para cima, é para cima mesmo!
Parecia que ele estava tentando alcançar o teto da academia.
Eu fiquei olhando e pensando:
“O que está acontecendo aqui?”
Talvez existisse alguma justificativa técnica para aquilo.
Talvez fosse algum exercício específico.
Talvez ele soubesse exatamente o que estava fazendo.
Mas, para quem estava simplesmente treinando ao lado, a cena era, no mínimo, curiosa.
E essa é uma das coisas interessantes da academia:
você nunca sabe o que vai encontrar.
Exercício "diferente" no banco romano
Mas ainda não acabou.
Outro dia aconteceu outra situação curiosa.
Você conhece o banco romano, aquele aparelho utilizado para exercícios de extensão de tronco?
Pois então.
O rapaz se posicionou no aparelho e começou a movimentar os braços como se estivesse nadando.
Eu fiquei olhando.
Olhei de novo.
E pensei:
“Ele está nadando no banco romano?”
E o melhor é que, segundo ele, aquilo fazia parte da orientação da profissional que o acompanhava.
Eu não vou entrar no mérito de discutir o exercício.
Se existe uma orientação profissional específica, certamente há um motivo.
Mas que a cena chamou atenção...
Ah, chamou!
Academia não é lugar para competição
Outra coisa que sempre me chama atenção é aquela necessidade de colocar todas as anilhas disponíveis no aparelho.
E aqui eu falo sério. Carga não é troféu.
Você não ganha uma medalha porque colocou 300 kg no aparelho.
O objetivo deveria ser realizar o exercício de maneira adequada e dentro das suas condições físicas naquele momento.
Aí fica uma reflexão sobre excesso de carga e esforço além da capacidade.
Não adianta colocar uma carga absurda se você não consegue executar o movimento adequadamente.
A carga deve ser compatível com sua capacidade e com o objetivo do exercício, e não ser usada para provar algo para ninguém.
Carga pesada significa mais resultado?
Esse é um ponto que merece ser levado a sério.
Aumentar a carga progressivamente pode fazer parte de um programa de treinamento.
Mas mais peso não significa automaticamente mais resultado.
Quando a carga é excessiva para a capacidade da pessoa, pode ficar mais difícil manter a técnica e o controle do movimento.
Por isso, a progressão de carga deve ser compatível com o nível de treinamento e, quando necessário, contar com orientação profissional.
Por isso: faça o exercício que você consegue executar bem.
E quando estiver preparado para aumentar a carga, faça isso de maneira progressiva e, de preferência, com orientação profissional.
Não transforme a academia em uma disputa
Se existe uma coisa que eu gostaria de deixar como mensagem é esta: não compare seu treino com o treino dos outros.
- Você não precisa levantar o mesmo peso que aquela mulher do outro lado da sala.
- Não precisa correr na mesma velocidade.
- Não precisa ter o corpo dela.
- Não precisa fazer o exercício que ela faz.
E muito menos precisa provar alguma coisa para quem está treinando ao seu lado.
Principalmente se você é uma mulher 50+ que está começando agora.
Respeite o seu processo.
Seu corpo não precisa acompanhar o ritmo de ninguém.
Como treinar com mais segurança depois dos 50
Depois dos 50, muitas mulheres começam a olhar para a musculação de outra maneira.
Não é mais apenas: "Quero ficar bonita de biquíni.”
É também:
- “Quero ficar forte.”
- “Quero subir escadas sem dificuldade.”
- “Quero preservar minha massa muscular.”
- “Quero cuidar dos meus ossos.”
- “Quero continuar independente.”
- “Quero envelhecer com qualidade.”
E isso muda completamente a relação com o exercício. Você começa a perceber que cada repetição tem um significado diferente. Cada treino é um investimento no seu futuro.
Menos espetáculo, mais consistência
No final das contas, minha filosofia é simples: vá para a academia e faça o seu treino.
- Não precisa competir.
- Não precisa impressionar.
- Não precisa levantar o maior peso.
- Não precisa copiar a blogueira da internet.
- Não precisa transformar o Leg Press em um campeonato mundial.
E muito menos precisa fazer acrobacias para mostrar que entende de musculação.
Apenas treine. Faça aquilo que foi planejado para você.
Respeite seu corpo, tenha paciência, seja constante e deixe o resultado aparecer com o tempo.
Porque musculação não é espetáculo. É treinamento.
E, para mim, quanto menos firula e mais consistência, melhor.
Quando procurar orientação profissional
- se você está começando a treinar;
- se ficou muito tempo sem praticar exercícios;
- se tem alguma limitação física;
- se sente dor durante determinado movimento;
- se tem dúvidas sobre execução ou progressão de carga.
Dor persistente ou sintomas inesperados merecem avaliação profissional.
Conclusão
A academia pode ser um lugar divertido, social e descontraído.
Mas não precisamos transformar o treino em uma competição de quem chama mais atenção.
Especialmente para quem está começando ou para nós, mulheres 50+, o mais importante é encontrar uma rotina que seja segura, sustentável e adequada aos nossos objetivos.
Não quero ser a mulher que levanta mais peso da academia. Quero ser a mulher que, daqui a 10, 20 ou 30 anos, ainda consiga levantar suas próprias coisas, subir escadas, caminhar, viajar e cuidar da própria vida.
Esse é o meu objetivo.
E se você também pensa assim, minha amiga, estamos no caminho certo.
- Menos firula.
- Mais treino.
- Menos comparação.
- Mais constância.
- Menos espetáculo.
- Mais saúde.
E, por favor...
Não seja a pessoa que tenta levantar a academia inteira no Leg Press!
Até o próximo artigo, bonita!
Escrito por:
Sobre a autora
Bete Lopes é criadora de conteúdo digital e autora do Contramão Fitness, um espaço voltado para mulheres maduras que desejam cuidar do corpo, da saúde e da qualidade de vida de maneira realista e sem promessas milagrosas.
Este artigo apresenta experiências e opiniões pessoais. Informações sobre exercícios físicos não substituem a avaliação e a orientação individualizada de profissionais qualificados.
