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| Fonte: Blog Contramão Fitness |
Menopausa não significa o fim dos anos ativos da mulher.
Isso precisa ficar muito claro na nossa cabeça.
Em geral, a menopausa marca o fim dos anos reprodutivos, mas está muito longe de significar o fim dos nossos planos, sonhos, desejos, trabalho, relacionamentos, atividade física ou vontade de viver.
A maioria das mulheres passará pela menopausa em algum momento da vida, seja como parte natural do envelhecimento ou por outras circunstâncias médicas.
E talvez justamente por isso precisemos falar muito mais sobre ela.
A imagem que criei para ilustrar este artigo representa um pouco de como muitas mulheres podem se sentir durante essa fase da vida.
Não necessariamente todas.
Cada mulher vive o climatério e a menopausa de uma maneira.
Mas existem sentimentos e sintomas que podem transformar completamente a nossa percepção sobre nós mesmas.
E quero deixar uma coisa muito clara desde o início:
o que compartilho aqui também é baseado na minha experiência pessoal.
Não é uma prescrição médica e não significa que aquilo que funcionou para mim funcionará para você.
Climatério e menopausa: afinal, qual é a diferença?
Muita gente usa climatério e menopausa como se fossem exatamente a mesma coisa.
Não são.
O climatério é a fase de transição que envolve as mudanças hormonais e o período que antecede e sucede a menopausa.
Já a menopausa é um marco.
Ela é identificada retrospectivamente quando a mulher permanece 12 meses consecutivos sem menstruar, sem outra causa que explique a ausência da menstruação.
Porém, existem situações diferentes, como menopausa cirúrgica ou induzida por tratamento médico. (Fonte: World Health Organization)
Parece simples, mas, para quem está vivendo essa transição, nem sempre é.
A mulher pode começar a perceber mudanças no corpo anos antes de chegar à menopausa propriamente dita.
E é aí que começa a confusão.
Quando o corpo começa a mudar e você não entende o que está acontecendo
No meu caso, os primeiros sinais começaram por volta dos 40 anos.
Naquela época, eu não tinha a menor ideia de que poderia estar entrando no climatério.
Eu simplesmente não entendia o que estava acontecendo comigo. É um verdadeiro misto de sentimentos.
Em determinados momentos, você está alegre. Depois vem a irritação e de repente aparece uma tristeza que você não sabe explicar.
Você começa a questionar algumas coisas.
Olha para o espelho e, muitas vezes, não consegue enxergar a mulher que sempre enxergou.
A beleza continua mas a percepção sobre nós mesmas pode mudar. E isso pesa.
Podemos sentir vontade de ficar quietas, de nos afastar, de chorar ou simplesmente de não conversar com ninguém.
Isso não significa que todas as mulheres passarão por isso. Mas muitas reconhecem essa sensação.
E quando não temos informação, tudo fica ainda mais confuso.
Aos 47 anos, os sintomas ficaram mais evidentes
A partir dos 47 anos, comecei a perceber mudanças fisiológicas mais evidentes.
Meu ciclo menstrual, que durante muitos anos havia sido bastante regular, começou a mudar.
Primeiro atrasou uma semana, depois quinze dias. Depois um mês, três meses.
E cada alteração trazia uma nova dúvida.
Quando a menstruação ficou três meses sem aparecer, confesso que fiquei preocupada.
Eu sabia que não era uma gestação, mas ainda assim aquela sensação de “o que está acontecendo?” foi inevitável.
Procurei atendimento e fiz exames. Não era gravidez.
Então veio a pergunta:
“O que está acontecendo comigo?”
Hoje parece óbvio. naquela época, não era.
E esse é um dos motivos pelos quais precisamos falar mais sobre menopausa.
Sintomas da menopausa: não é apenas calorão
Quando alguém fala em menopausa, qual é a primeira coisa que vem à sua cabeça?
Provavelmente o famoso fogacho, ou onda de calor.
Só que a menopausa pode envolver muito mais do que isso.
Os sintomas variam bastante de mulher para mulher e podem incluir:
- ondas de calor;
- alterações no sono;
- cansaço;
- alterações de humor;
- ansiedade;
- tristeza;
- dificuldade de concentração;
- alterações na libido;
- ressecamento vaginal;
- mudanças na composição corporal;
- mudanças na distribuição da gordura corporal, que podem favorecer maior acúmulo na região abdominal;
- dores musculares e articulares;
- redução da disposição;
- entre outros.
E existe um detalhe importante:
Esses sintomas podem começar durante a transição para a menopausa, antes que a última menstruação aconteça.
Por isso, informação faz tanta diferença.
Quando você entende o que está acontecendo, fica muito mais fácil procurar ajuda e conversar com um profissional de saúde.
A menopausa também muda a relação com o nosso corpo
Talvez uma das coisas mais difíceis seja olhar para o próprio corpo e perceber que ele mudou.
- A distribuição da gordura corporal pode mudar.
- Com o envelhecimento, é comum ocorrer redução progressiva da massa e da força muscular, especialmente quando não há estímulo adequado.
- A recuperação depois dos exercícios pode ficar diferente.
- E aquela facilidade que tínhamos aos 20 ou 30 anos para perder alguns quilos pode não existir mais.
É frustrante? Às vezes, muito.
Mas existe uma coisa que aprendi:
Não precisamos voltar a ter o corpo dos 20 anos. Precisamos cuidar do corpo que temos hoje.
E foi exatamente por isso que criei o conceito do Contramão Fitness.
Contramão Fitness: saúde antes do shape
Durante muito tempo, venderam para nós a ideia de que fazer exercício significa buscar um determinado corpo.
Barriga chapada, braços definidos, pernas perfeitas, um determinado número na balança.
Mas será que é só isso? Eu não acredito.
É por isso que o Contramão Fitness vai na contramão dos modismos.
Não quero convencer você de que precisa ter um corpo “trincado”. Mesmo porque, eu também não tenho.
Quero mostrar que emagrecer, ganhar força e cuidar da saúde podem ser objetivos muito mais importantes do que simplesmente alcançar um shape de internet.
Porque o corpo bonito que realmente me interessa é aquele que consegue acompanhar você pela vida.
Um corpo forte, um corpo funcional, que te permita subir escadas, carregar compras, levantar da cadeira, viajar, brincar com os netos, vestir a roupa que você quiser.
Viver!
Como emagrecer na menopausa?
Vamos falar de uma pergunta que provavelmente trouxe você até aqui:
Como emagrecer na menopausa?
A resposta não é uma dieta milagrosa. Também não é cortar carboidratos completamente e muito menos passar fome.
O emagrecimento depende de diversos fatores, incluindo alimentação, atividade física, sono, comportamento, genética, idade e condições de saúde.
E sim, pode ser mais difícil perder gordura conforme envelhecemos.
Mas difícil não significa impossível.
Para mim, uma das mudanças mais importantes foi entender que consistência vale muito mais do que perfeição.
Musculação na menopausa: muito além da estética
Se existe algo que considero extremamente importante nessa fase da vida é o treino de força.
A musculação pode ajudar a preservar e desenvolver massa muscular, melhorar a força e contribuir para a funcionalidade.
E isso ganha ainda mais importância com o avanço da idade.
Por quê? Porque perder força e massa muscular pode comprometer nossa independência no futuro.
E eu quero envelhecer conseguindo cuidar de mim mesma.
Quero conseguir levantar, caminhar, carregar minhas coisas, fazer minhas atividades.
Não quero depender de outra pessoa para aquilo que ainda posso fazer sozinha.
Para mim, isso é uma forma de liberdade.
Musculação também é importante para os ossos
Outro ponto importante é a saúde óssea. Com o envelhecimento e as mudanças hormonais da menopausa, a saúde dos ossos merece atenção especial. (Fonte: Endocrine Society)
O treinamento de força, quando realizado de maneira adequada, pode fazer parte de uma estratégia de envelhecimento saudável.
Juntamente com alimentação adequada, ingestão suficiente de nutrientes, exposição solar conforme orientação e outros cuidados indicados individualmente.
Mas existe uma regra:
Não é porque você tem 50 anos que deve pegar qualquer peso e sair treinando.
A atividade precisa respeitar sua condição física.
Se você nunca treinou, tem alguma doença, sente dores ou possui limitações, procure orientação profissional antes de começar.
Alimentação na menopausa: esqueça a ideia de passar fome
Eu não acredito nessa história de que para emagrecer precisamos viver de alface e água. Definitivamente não!
Uma alimentação equilibrada pode incluir alimentos de verdade como:
arroz, feijão, carnes, ovos, legumes, verduras, frutas, grãos e outros alimentos que façam parte de uma alimentação adequada às suas necessidades.
E sabe aquele doce que você gosta? Também não precisa necessariamente desaparecer para sempre.
O problema não é comer algo diferente ocasionalmente. O problema é quando a exceção vira regra.
Para mim, o segredo está no equilíbrio. Não precisamos viver em guerra com a comida.
Precisamos aprender a fazer escolhas melhores na maior parte do tempo.
“Sai da dieta? E agora?”
Essa é uma das maiores armadilhas. Você come algo fora do planejamento e depois pensa:
“Já estraguei tudo mesmo.”
E continua. Come mais, no dia seguinte, desiste do treino, depois passa uma semana sem fazer nada.
E quando percebe, abandonou completamente o que estava fazendo.
Eu prefiro pensar diferente.
Comeu algo mais calórico? Tudo bem.
No dia seguinte, retome.
Não precisa compensar, não precisa passar fome.
Não precisa transformar um episódio em uma semana inteira de abandono.
Constância não significa nunca sair da linha, significa saber voltar.
Atividade física na menopausa: seu corpo precisa de movimento
A atividade física é importante em todas as fases da vida.
Na menopausa, ela pode contribuir para a saúde cardiovascular, força muscular, controle do peso, saúde óssea, capacidade funcional e bem-estar.
E não precisa ser somente musculação.
Caminhada, dança, bicicleta, exercícios de mobilidade, natação e outras atividades também podem fazer parte de uma rotina ativa.
O melhor exercício é aquele que você consegue realizar com segurança e manter de forma consistente.
Nem todo mundo pode fazer o mesmo treino e está tudo bem.
Seu corpo não precisa competir com o corpo de outra mulher.
Vai ter dia em que você não vai conseguir
Também aprendi que constância não significa ignorar o corpo. Existem dias em que estamos cansadas.
Dias em que dormimos mal, em que precisamos diminuir o ritmo e tudo bem.
Descansar também faz parte do processo. O problema não é descansar. O problema é transformar um dia de descanso em uma desistência definitiva.
Amanhã você pode voltar.
- Um treino;
- Uma caminhada;
- Uma refeição melhor;
É assim que os hábitos são construídos.
Terapia hormonal da menopausa: cada mulher precisa ser avaliada individualmente
No meu caso, também tive indicação médica para fazer terapia hormonal da menopausa, e percebi benefícios importantes na minha experiência.
Mas preciso deixar isso muito claro:
o que funciona para mim não significa que funcionará para você.
A terapia hormonal não é indicada para todas as mulheres.
Existem benefícios, riscos e contraindicações que precisam ser avaliados individualmente.
A idade, o tempo desde a menopausa, os sintomas, o histórico pessoal e familiar e outras condições de saúde fazem parte dessa decisão.
Por isso, não comece, interrompa ou modifique uma terapia hormonal por conta própria.
Converse com um profissional habilitado.
A terapia hormonal pode ser uma opção para algumas mulheres com sintomas da menopausa, mas a decisão deve ser individualizada e discutida com um profissional de saúde.
Gordura abdominal depois dos 50: precisamos falar sobre isso
Outra mudança que muitas mulheres percebem é a alteração na distribuição da gordura corporal.
Com o envelhecimento e as mudanças hormonais, pode haver maior tendência ao acúmulo de gordura na região abdominal.
E aqui não estamos falando apenas de estética.
A gordura visceral, localizada ao redor dos órgãos internos, está associada a maior risco metabólico e cardiovascular.
Por isso, quando falamos em emagrecer na menopausa, não deveríamos pensar apenas no número da balança.
Precisamos pensar em:
- Saúde;
- Força;
- Massa muscular;
- Composição corporal;
- Capacidade funcional;
Meu antes e depois não é apenas físico
Quando olho para o meu próprio antes e depois, vejo muito mais do que uma mudança no corpo.
Existe também um antes e depois interior. Minha relação com meu corpo mudou, minha percepção sobre saúde mudou.
Comecei a entender que não preciso perseguir um padrão de beleza impossível. Preciso cuidar da mulher que sou hoje.
Ainda estou nesse processo. Perdendo gordura, ganhando força. Ainda estou aprendendo.
E talvez essa seja justamente a graça de tudo isso.
"Não existe linha de chegada quando o assunto é cuidar de si."
Existe o próximo passo.
Aos 50+: esqueça o shape e busque saúde
Se você já passou dos 50, quero conversar especialmente com você.
Minha amiga, talvez seja hora de esquecer um pouco o shape. Não estou dizendo para abandonar seus objetivos estéticos.
Se você quer emagrecer, ótimo.
Se quer ganhar músculos, ótimo.
Se quer mudar seu corpo, tudo bem.
Mas coloque uma prioridade acima de todas: sua Saúde.
Porque existe uma liberdade enorme em poder escolher a própria roupa sem ficar pensando se o corpo está “adequado” para aquela peça.
Escolher o que vestir porque você gostou, porque se sentiu bonita, confortável.
E não porque alguém determinou qual roupa uma mulher de determinada idade deveria usar.
Isso não tem preço.
Envelhecer com independência é um objetivo
Eu penso muito no futuro. Não quero envelhecer dependendo de outras pessoas para realizar tarefas que eu poderia fazer sozinha.
É claro que ninguém controla completamente o que acontecerá durante a vida.
Podemos adoecer, sofrer acidentes, enfrentar limitações.
Mas existe uma parte da nossa saúde que podemos cuidar hoje.
E quanto mais preservamos nossa força, mobilidade, equilíbrio e capacidade funcional, maiores podem ser as chances de manter nossa independência por mais tempo.
Para mim, isso vale muito mais do que um abdômen definido.
Não existe milagre: existe constância
É aqui que o Contramão Fitness entra.
Não quero vender uma fórmula mágica. Não existe.
- Não existe exercício milagroso.
- Não existe dieta perfeita.
- Não existe suplemento capaz de substituir hábitos saudáveis.
Existe constância.
Você começa, para, recomeça, aprende, erra, acerta e continua.
E, pouco a pouco, seu corpo responde não apenas com mudanças estéticas mas com força, disposição, mobilidade, confiança, autoestima.
E a sensação maravilhosa de perceber que você está cuidando de si.
Conclusão: a menopausa não é o fim
A menopausa encerra nossa vida reprodutiva e não encerra nossa vida produtiva.
- Não encerra nossos sonhos;
- Não encerra nossa feminilidade;
- Não encerra nossa vontade de nos sentirmos bonitas;
- Não encerra nossa vida profissional;
- Não encerra nossa sexualidade;
E definitivamente não encerra nossa possibilidade de ficar mais fortes.
Talvez a grande mudança seja entender que não precisamos lutar contra o envelhecimento. Precisamos aprender a envelhecer com saúde.
- Comer melhor.
- Movimentar o corpo.
- Fazer treino de força quando possível e adequado.
- Dormir melhor.
- Cuidar da saúde mental.
- Fazer acompanhamento médico.
E, principalmente, parar de acreditar que depois dos 50 a vida precisa diminuir. Ela pode simplesmente mudar.
E talvez exista uma nova mulher esperando para ser descoberta justamente nessa fase.
Então, minha amiga:
Não busque apenas um shape.
Busque força, saúde, autonomia, autoestima.
Busque qualidade de vida.
Porque poder escolher suas próprias roupas, caminhar com segurança, carregar suas compras, levantar da cadeira sem dificuldade e conduzir seu próprio corpo com independência...
Isso, sim, é um corpo que vale a pena construir.
E lembre-se:
Treino não é punição.
Comida não é inimiga.
Envelhecer não é o fim.
E menopausa não significa parar de viver.
Acorda, mulher!
Até o próximo artigo, bonita!
Escrito por:
Bete Lopes é criadora de conteúdo digital e autora do Contramão Fitness, um blog dedicado a temas relacionados a atividade física, alimentação equilibrada, bem-estar e envelhecimento saudável.
Os relatos pessoais apresentados neste artigo representam sua própria experiência e não substituem avaliação ou orientação de profissionais de saúde.
Aviso: Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento individualizado realizado por profissional de saúde. Experiências pessoais não significam que os mesmos sintomas, tratamentos ou resultados se apliquem a todas as mulheres.
Fontes e referências
Ministério da Saúde — informações sobre climatério e menopausa.
Organização Mundial da Saúde (OMS) — definição, sintomas, transição menopausal e cuidados.
Ministério da Saúde — Nota Técnica de 2026 — cuidado integral durante a transição para menopausa, menopausa e pós-menopausa na Atenção Primária.
NICE — recomendações atualizadas sobre identificação, tratamento e terapia hormonal da menopausa.
Ministério da Saúde
Nota Técnica Conjunta nº 72/2026-DGCI/DESF/DEPROS
Estabelece subsídios para gestores(as) e profissionais de saúde na organização e qualificação do cuidado integral à saúde das pessoas em período de transição para a menopausa, menopausa e pós-menopausa no âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS).
Atualizado em 29/04/2026 15h25

Nota Técnica Conjunta nº 72.2026-DGCI-DESF-DEPROS.pdf